A criança autista na escola

  1. Qual é a idade certa para colocar uma criança autista na escola? 

A criança com autismo pode começar a frequentar a escola, assim como todas as crianças, a partir da educação infantil.

  1. Como deve ser feita a inclusão dela com o restante da classe? 

Quando falamos em inclusão, pensamos somente em crianças com algum tipo de deficiência. Porém, cada indivíduo é único e necessita de atenção e cuidados especiais. Com a criança autista ocorre o mesmo. A criança autista deve participar das aulas na classe regular e ter acesso aos mesmos conteúdos. Porém, cabe a equipe de educadores da escola avaliar e fazer uma adequação da metodologia de ensino, que pode ser particular em cada caso. Ressalto que a criança deve frequentar a turma de acordo com sua idade e que a escola deve fazer um trabalho educativo com os demais alunos para que eles compreendam as especificidades da criança com autismo e aprendam conviver com a diversidade.

  1. Quais métodos são utilizados para a alfabetização da criança autista? O que difere da alfabetização das outras crianças? 

A crianças autista precisa de rotina, pois isso lhe dá segurança. Então, o professor pode escrever e ler a rotina, antecipando tudo o que será feito.

 

O professor pode utilizar imagens na alfabetização, pois a criança com autismo aprende muito visualmente. Por exemplo, utilizar cartões com imagens e suas respectivas palavras. A criança autista, assim como as demais, aprende primeiro de forma concreta. Então, substantivos e palavras concretas e que fazem parte de sua rotina devem ser ensinadas primeiro, como: casa, carro, prato, escola, etc. O professor pode iniciar utilizando os objetos mais significativos para a criança. Por exemplo, se o brinquedo preferido é uma bola, pode ensinar a palavra bola, associando a palavra e imagem.

 

  1. O que os pais devem ter em mente ao escolher o colégio dos filhos (por exemplo, se possui uma equipe de psicólogos, se os professores são formados na área, etc)? 

 

Além dos critérios gerais para a escolha de uma escola, como proximidade de casa ou trabalho, facilidade de acesso, referências, currículo dos profissionais, estabilidade da equipe docente, os pais devem fazer visitas e conversar com a equipe gestora da escola, professores e também observar os alunos (se parecem tranquilos, felizes). Na conversa com os diretores e coordenadores os pais devem questionar como a escola atende alunos com necessidades especiais.

 

Claro que ter professores especialistas em educação especial é um ponto a mais, mas os pais devem considerar também se a escola oferece cursos de formação continuada em serviço aos seus profissionais, para que se atualizem constantemente.

 

A confiança é muito importante, por isso é fundamental que os pais se sintam a vontade para matricular seus filhos. A criança com autismo deve frequentar a escola regular e pode, dependendo da indicação pedagógica, ter atendimento educacional especializado no contra-turno escolar. Trata-se de um acompanhamento com um professor especialista que tem como objetivo subsidiar e complementar o trabalho feito na aula regular, ajudando a desenvolver as potencialidades do aluno.

 

Isso ocorre, por exemplo, na rede municipal da cidade de São Paulo e também em outras redes públicas. Na rede particular, geralmente esse atendimento é pago ou feito em ONGs. Porém, cabe frisar que esse atendimento não substitui as aulas regulares, mas complementa.

 

Além disso, há o acompanhamento multidisciplinar que é realizado por profissionais da medicina, psicopedagogia, fonoaudiologia, terapias complementares, psicologia, a depender da necessidade de cada indivíduo.

 

  1. Quais cuidados essenciais que professores com alunos autistas devem ter? 

 

Em primeiro lugar, eu diria que os cuidados essenciais devem ser oferecidos por toda a equipe escolar, para que o professor não entenda que a tarefa de educar seja solitária. Isso implica que direção, coordenação, funcionários da escola e demais professores (de arte, língua estrangeira, educação física, sala de leitura, informática, etc.) devam todos estar reunidos em prol do aluno. Dependendo do número de alunos da turma e do grau de autismo, a turma pode contar com mais um professor, um auxiliar de classe ou um estagiário de pedagogia, para auxiliar no atendimento dos alunos e garantir atenção especial a todos.

 

O planejamento deve ser construído coletivamente e o aluno com autismo pode ter um planejamento específico, mas sempre derivado do planejamento da turma. Ou seja, não se trata de outro planejamento, mas sim de adequações para garantir a aprendizagem..

 

A escola deve manter diálogo constante com os pais e com a equipe de profissionais que atendem o aluno. Deve ficar claro também que cabe a escola definir as estratégias pedagógicas para garantir a aprendizagem e inclusão do aluno com autismo e deve ter competência para isso.

 

O professor deve participar desse processo de construção das estratégias pedagógicas de forma ativa, pois, dentre os profissionais que atendem o indivíduo com autismo, é o que geralmente passa mais tempo com ele. Por isso, tem condições de avaliar suas necessidades, habilidades, potencialidades de maneira mais precisa.

Em sala de aula, devem ser incentivadas as ações que promovam a inclusão, a interação entre os alunos. Sabemos que a criança autista tem dificuldade de estabelecer relações de forma convencional, então é preciso respeitar essa característica e não forçar. Então, além dos cuidados com o aluno com autismo, é preciso trabalhar também com as demais crianças, orientando-as como agir em determinadas situações, como respeitar o colega com autismo que gosta de seguir determinados rituais, que gosta de ver objetos girar ou que, em algum momento, ele precisará ficar sozinho, por exemplo. O professor, enquanto adulto, pode ajudar a conduzir esse processo de forma segura.

A criança autista precisa de rotina, então, sempre que possível, deve-se evitar o improviso. O ideal é que a rotina seja fixa e as atividades do dia escritas e lidas no início da aula. Pode-se também usar objetos concretos, juntamente com a rotina escrita. Por exemplo, na hora na sala de leitura, além de escrever no quadro e ler, pode-se mostrar um livro, para que seja feita a associação.

 

 

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