O atendimento psicanalítico – o processo de análise

A psicanálise é o estudo do comportamento humano, de suas causas e também um método terapêutico que visa (re)estabelecer o equilíbrio emocional e/ou favorecer o autoconhecimento. Surgiu no final do século XIX a partir dos estudos e observações do médico Sigmund Freud, que percebeu que diversos distúrbios físicos e emocionais de seus pacientes tinham origem psíquica.  O auge da psicanálise ocorreu em meados do século XX e foi cedendo espaço a outras escolas que estudavam a psique humana, o que resultou no conseguinte estabelecimento da psicologia enquanto ciência e profissão.

O processo de análise (assim se denomina a psicanálise clínica) consiste em relatos que o analisado faz ao seu analista durante as sessões. O conteúdo desse relato é diverso: o analisando fala a respeito de seus sentimentos, acontecimentos de sua vida cotidiana, de seu passado, de seus sonhos. Quando o analisando fala ao analista, ele tem a oportunidade de ouvir a si próprio, de tomar consciência de várias de suas motivações e frustrações e de elaborar melhor seus sentimentos. E assim vai se percebendo, tomando consciência de si, livrando-se de comportamentos que lhe causam sofrimentos e se equilibrando. Ao psicanalista cabe conduzir esse processo, fazendo as interpretações e intervenções necessárias, apoiando-se sempre na teoria e técnica psicanalíticas.

A análise é um processo longo, pois a descoberta de si, realmente não é algo que pode ocorrer em um ou dois meses, porém os resultados são significativos para quem tem a oportunidade de se entender e de se relacionar melhor com o mundo.

A análise é, portanto, indicada a pessoas que buscam o autoconhecimento, independentemente da existência de alguma psicopatia e também para portadores de desequilíbrios emocionais de origem psíquica, sofrimentos e para quem almeja melhor qualidade de vida, melhorando seus relacionamentos. Crianças, adolescentes, adultos e idosos tem-se beneficiado da psicanálise.

O psicanalista é um profissional de nível superior com formação em cursos livres de formação psicanalítica, que também faz análise pessoal e submete casos (resguardando a identidade de seus pacientes) a outro psicanalista, para supervisão. Ou seja, ele aprende na teoria e na prática.  Se não houver esse tripé (estudos, análise pessoal e supervisão) não é psicanálise.  Aqui cabe ressaltar que o estudo da psicanálise não se esgota com a formação inicial, pois o profissional deverá continuar estudando por toda sua vida.

Para que a análise tenha sucesso, é imprescindível que haja uma empatia entre o futuro analisando e o analista. Mesmo que o analista tenha sido indicado por uma pessoa de confiança, como um amigo ou parente e que tenha um ótimo currículo, somente isso não basta para garantir o sucesso do tratamento. O cliente “precisa gostar” do analista, sentir-se seguro e confiante, pois somente dessa forma conseguirá sentir-se à vontade para contar suas particularidades. E isso é fundamental para o sucesso da análise.

Geralmente a primeira sessão é justamente para um conhecimento inicial, na qual o analisando tem a oportunidade de expor suas expectativas, de conhecer o analista e este, por sua vez, dar maiores informações sobre o processo de análise, bem como combinar os horários, regras do atendimento e honorários.

O valor da sessão pode variar entre os profissionais, que levam em consideração a sua formação, experiência, a localização e os custos com o consultório. De fato, o aluguel em uma área nobre da cidade pode ser bem mais caro do que em outras. Há também profissionais que trabalham com uma tabela fixa de preço e outros que preferem combinar valores com cada cliente, pois alegam que a própria relação com o dinheiro já é uma esfera do atendimento. Porém, por questões éticas, é importante que o analista garanta o prosseguimento do tratamento em casos de imprevisto. Se, por exemplo, o paciente perder o emprego durante o processo de análise, não será ético privá-lo da análise somente porque sua condição financeira se alterou. Por outro lado, sendo o psicanalista um profissional (e que também tem suas contas a pagar) e precisa de seus honorários, ambos podem fazer um acordo, de modo que o analisando possa continuar seu tratamento (quer seja um desconto por algum período, algumas sessões gratuitas ou permitir que as mesmas sejam pagas futuramente). Isso considerando-se que a dificuldade financeira cessará em algum momento futuro.

O valor da sessão não pode, em hipótese alguma, ser mais um problema para o paciente e isso precisa ficar claro desde o início. O analisando precisa avaliar se poderá arcar ou não com os custos das sessões e ser bem franco com o psicanalista, que poderá ajudá-lo na busca de uma solução. Nenhuma pessoa deve se privar de outras coisas que considera importantes para pagar a sessão, criando, logo de início, uma dependência que será prejudicial.

Tudo que é dito em sessão de análise é protegido por sigilo profissional e o analista somente poderá divulgar casos no meio acadêmico psicanalítico para fins de estudos e pesquisas, com a proteção total da identidade do analisando.

Desde o final do século XIX a psicanálise tem se mostrado muito útil para a humanidade e consta como disciplina no currículo de diversos cursos superiores que visam formar profissionais que lidam com seres humanos, como os cursos de pedagogia, administração, psicologia, dentre muitos outros. É também tema de estudo e pesquisas em especializações, mestrados, doutorados e pós-doutorados em universidades e institutos de pesquisas em todo o mundo.

Os estudos e pesquisas sobre psicanálise, suas contribuições a diversas áreas da ciência e da sociedade, os milhões de livros publicados sobre o assunto, a quantidade de profissionais formados e atuantes e seus adeptos comprovam sua eficácia, seja como matéria de estudo ou técnica terapêutica. Por isso, mesmo após anos de seu aparecimento e do surgimento de outras linhas com o mesmo objetivo, a psicanálise mantem-se viva e renovada na contemporaneidade.

Cristiane Ferreira

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5 Comments

  1. Muito bem, Cristiane pouco sei sobre Psicanalista, mais li sobre a passagem e tem tudo a ver com o meu trabalho é com crianças e também trabalho com Idoso nos cuidados, costumo seguir essas expressões, por motivos comportamentais, por lidar com seres humano, creche, alimenta as crianças, e com o Idoso tem que prepara a alimentação dele e isso tem que ser coisas com muita atenção é tanto que estou para fazer uma pós-graduação em Psicopedagogia Institucional e Clinica para trabalhar melhor com crianças que é o meu Foco.

  2. Pingback: Luiza

  3. Muito obrigado pela atenção.

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